constituem os Jê Meridionais. Representam um
contingente populacional numericamente importante no sul do país, somando aproximadamente 25.000 pessoas.

São habitantes das terras da região de Londrina muito antes da chegada do homem branco nesta região. Foram "colonizados e pacificados" no período de 1.770 a 1.930. A partir daí, tiveram seus territórios expropriados e o contato se estabeleceu de forma desigual. Perderam sua autonomia enquanto grupo, viram-se privados de seus saberes e de seus amplos territórios de caça e pesca, passando a viver em aldeamentos controlados por administradores brancos, missionários e civis.

A Terra Indígena(TI) do Apucaraninha, onde está situada a aldeia, ocupa a porção sudoeste do Município de Londrina, sendo limitada ao norte pelo Rio Apucaraninha, ao sul pelo Rio Apucarana, a leste pelo Rio Tibagi e a oeste por de alguns rios pequenos, estradas, represas e cortes aleatórios.

A terra entre estes rios até a Serra do Apucarana foi reservada aos Kaingáng pelo decreto n.º 06 de 05 de julho de 1.900, pelo então governador Francisco Xavier da Silva. Nesta época o posto recebeu o nome de Dr. Xavier da Silva, sendo alterado mais tarde pelo nome atual. Originalmente as terras da reserva somavam 54.000 hectares, mas em 1.949, mediante um acordo firmado entre a União e o estado do Paraná, representado pelo governador Moysés Lupion, visando a "regularização" das terras indígenas no estado do Paraná, ficaram destinados aos Kaingáng do Apucaraninha os atuais 6.300 hectares (de acordo com o decreto n° 13.722 de 12/05/1.949).

As florestas originais dentro da Terra Indígena, onde predominavam árvores de grande porte, como: o pinheiro, embuia, cedro, cerejeira, etc., sofreram um processo de devastação ao longo do contato. Atualmente, o que sobrou da mata nativa, compõe uma vegetação secundária rica em samambaias, taquara, sapés, etc. (Mendonça 1989). Assim como a redução da mata original, território de caça e pesca, foram reduzidos também os animais que existiam na densa floresta e que constituíam fonte de alimento para os Kaingáng.

Ainda é encontrada no meio da mata e nas barrancas dos rios, uma variedade de palmito e coqueiro que ainda são consumidas pelos Kaingáng.

A Terra Indígena do Apucaraninha esta sob a jurisdição da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) – administração regional de Londrina, órgão responsável pela tutela indígena e prestadora de assistência. A Fundação Nacional de Saúde atualmente é a gestora pela saúde indígena em todo o País, que em convênio com o município de Londrina tem garantido o atendimento à saúde da população Kaingáng.

A Prefeitura do Município de Londrina vem desenvolvendo, desde 1993 um programa de atendimento aos Kaingáng do Apucaraninha, coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, juntamente com as Secretarias Municipais de Saúde, Educação, Agricultura, Autarquia do Meio Ambiente e Cultura em parceria com a CIPSI - Centro de Intervenção e Pesquisa em Saúde Indígena, Fundação Nacional do Índio, Fundação Nacional de Saúde, Projeto Vigisus/Ministério da Saúde, Universidades, Ministério Público Federal e Organizações Não Governamentais.

A população da T.I., atualmente soma aproximadamente 1.350 pessoas, em um total de 300 famílias. Todos os Kaingáng falam a língua materna, sendo as crianças até sete anos de idade, estritamente monolíngues. Entre jovens e adultos existe o domínio do português, ainda assim, usam preferencialmente a língua materna.


 

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