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SAÚDE
Certamente foram as doenças
trazidas através do contato que reduziu drasticamente
até a metade deste século a população
Kaingáng e foi a causa essencial para a extinção
dos Xetá, contatados no início dos anos
50.
Foi através das
grandes epidemias trazidas pela colonização
que os Kaingáng passaram a ter contato com a
medicina ocidental, necessitando de intervenções
para suas doenças, pois para algumas doenças
não conseguiram resposta eficaz dentro de sua
medicina tradicional, visto serem estas doenças
novas, doenças de "branco" e pelas
quais o seu sistema médico não dava conta
de curá-los e nem tampouco promover estratégias
de prevenção para tais doenças.
Instalou-se, portanto um
desequilíbrio gerado pelo contato acelerado produzindo
grandes transformações sociais, culturais,
ambientais, mudando por completo o perfil epidemiológico
dos Kaingáng que até então como
povos isolados desconheciam estas doenças.
É preciso ressaltar
que um grupo indígena que venha a ser contatado
de maneira descontrolada e persistente, poderá
desenvolver em poucas décadas, um perfil epidemiológico
ao qual se misturam as doenças infecciosas e
degenerativas. (Confaloniere, 1.993:25). Na sociedade
ocidental, este processo levou alguns séculos
para se completar.
Um estudo do Ministério da Saúde
revela que o grande problema dos 450 mil índios
brasileiros não são as terras, mas a saúde
de suas crianças. Em apenas três anos,
de 2000 até 2003, segundo esse estudo, a mortalidade
infantil entre as 215 etnias indígenas do País
dobrou, chegando a um índice cinco vezes maior
que o verificado entre populações brancas
do País. Em 2000, o numero de mortes de bebês
índios até um ano era 2,78 maior que o
mesmo índice entre bebês brancos. Em 2003,
essa proporção saltou para 5,12.
O perfil epidemiológico
atual dos Kaingáng é bastante preocupante.
Há um alto índice de subnutrição
ligado a mudança de hábitos alimentares,
carência alimentar, doenças infecto-respiratórias,
infecto-contagiosas, parasitoses intestinais, crônico-degenerativas,
alcoolismo, tuberculose, etc.
Desde 1.993 até
agora, a população Kaingáng registrou
um aumento demográfico considerado importante
e acima da média do total da população
não indígena.
A média de nascimentos
por ano dentro da aldeia tem variado entre 40 a 50 nascidos
vivos.
Com relação
à morbidade ambulatorial, segundo dados obtidos
da UBS (SIASI – Sistema de Informação
da Atenção a Saúde Indígena)
referentes ao atendimento em 2003 (Gráfico 01),
podemos observar a predominância de doenças
do aparelho respiratório (44,3%) seguida de doenças
Infecciosas e Parasitárias (17,4%) e doenças
do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo (6,3).
Gráfico 01
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| Fonte: UBS
Reserva Indígena Apucaraninha – dados
ambulatoriais 2003 |
Dentre as doenças do aparelho
respiratório (Gráfico 02), encontramos
uma maior predominância dos resfriados comuns
(33,5), seguido pelas Laringites e traqueítes
agudas (33,1) e IVAS (32,4), sendo que o grupo etário
mais comprometido por estas doenças é
o das crianças menores de cinco anos.
Gráfico 02
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Fonte: UBS
Reserva Indígena Apucaraninha – dados
ambulatoriais 2003 |
É entre as crianças,
que também observamos maior ocorrência
das infestações parasitárias (escabioses
e pediculoses principalmente) e pelos helmintos (ascaris,
oxiurius, etc.), a primeira (34,1%) e segunda (31,3%)
patologias mais freqüentes, respectivamente, dentre
as Doenças Infecciosas e Parasitárias.
(gráfico 03).
Gráfico 03
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Fonte: UBS
Reserva Indígena Apucaraninha – dados
ambulatoriais 2003 |
No terceiro grupo de causas mais freqüentes, encontramos
as patologias relacionadas ao sistema osteosmuscular,
predominantes entre os adultos jovens e idosos, sendo
mais freqüentes as artrites, doenças reumáticas
e artroses.
Em relação a desnutrição
entre as populações indígenas,
diferentes determinantes podem ser responsáveis
pela sua ocorrência. Segundo Ventura dos Santos
que tem pesquisado sobre nutrição e povos
indígenas, já nos tem apontado que a desnutrição
entre os povos indígenas é excessiva considerando
os dados nacionais. As deficiências nutricionais
ocorreram após contato, perturbação
das atividades de subsistência provocada pelos
surtos epidêmicos. Para o autor, a desnutrição
esta ligada a diminuição de território
aliada a pressão por recursos naturais, ao abandono
das práticas tradicionais de subsistência;
adoção de uma dieta menos diversificada
baseada em alimentos industrializados e aumento populacional
sem infra-estrutura sanitária satisfatória.
(Ventura dos Santos, 1.998).
Ainda em relação a desnutrição
é importante destacar a coexistência de
outras morbidades (infecções, doenças
respiratórias, anemias carências, diarréias,
etc) como fator de agravamento do quadro.
Gráfico 04
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Fonte: UBS
Reserva Indígena Apucaraninha – dados
ambulatoriais 2003 |
A morbidade ambulatorial apresentada
pelos adultos está ligada as doenças crônico-degenerativas
(hipertensão arterial, doenças do coração,
diabetes, etc.). A tuberculose tem recrudescido nos
últimos anos e o alcoolismo tem se apresentado
como um agravo importante entre jovens acima dos 12
anos de idade e adultos e está associado a outras
patologias como cirrose, diabetes, doenças do
coração e do aparelho digestivo, etc.
Na saúde bucal, há alto índice
de cáries em adultos e crianças, com perda
de dentes permanentes, ocasionadas pela introdução
de novos hábitos alimentares e mudança
de vida a que estão expostos.
Principais diretrizes do Programa
de Atendimento à Saúde Indígena:
-
Busca proporcionar através
do atendimento a saúde, melhores condições
de vida para esta população, mais
dignas e que permitam que esta comunidade encontre
meios de desenvolvimento e crescimento mais adequados.
-
Promover uma assistência
diferenciada que possa dar conta de compreender
e respeitar as especificidades culturais do grupo.
É necessário também a capacitação
adequada dos profissionais para que os mesmos possam
prestar o atendimento à saúde levando
em consideração estas especificidades.
-
Entendendo saúde em seu
conceito mais amplo, consideramos primordial a atuação
com outros setores como a educação,
agricultura, meio-ambiente e assistência social,
bem como com outras instituições como
a FNS, UEL, e FUNAI. Esta intersetorialidade implica
em trabalhos em parceria, formulação
de convênios, e formulação de
propostas conjuntas.
-
Consideramos fundamental a realização
de diagnósticos epidemiológicos e
inquéritos antropológicos na implantação
de propostas de intervenção em relação
algumas doenças ou agravos para se obter
respostas mais eficazes. Se faz necessário
um conhecimento mais aprofundado de como essas doenças
surgiram na vida dessas pessoas, na aldeia etc.
São doenças como alcoolismo, diabetes,
desnutrição etc.
-
A importância da participação
da comunidade na decisão, controle e avaliação
das ações desenvolvidas. Somente com
a permissão e aceitação da
comunidade é possível realizar ações
mais efetivas na saúde.
-
Desenvolvimento de recursos humanos
próprios da comunidade, ou seja, incentivo
à formação e capacitação
dos indígenas em algumas áreas, como
por exemplo, agentes indígenas de saúde,
monitores bilíngües, agentes de saneamento,
conselheiros de saúde, etc.

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